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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Petrobras abre mão de cobrar dívida da Venezuela

O acordo, segundo fontes da estatal, feito entre os ex-presidentes Lula e Chávez deixou o Brasil com a missão de garantir, sozinho, investimentos de quase 20 bilhões de dólares

Refinaria Abreu e Lima da Petrobras, em Pernambuco
Refinaria Abreu e Lima da Petrobras, em Pernambuco (Bobby Fabisak/Exame/VEJA)
Documentos inéditos da Petrobras aos quais o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso mostram que a empresa abriu mão de penalidades que exigiriam da Venezuela o pagamento de uma dívida feita pelo Brasil para o projeto e o começo das obras na refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. O acordo "de camaradas", segundo fontes da estatal, feito entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez deixou o Brasil com a missão de garantir, sozinho, investimentos de quase 20 bilhões de dólares.
O acordo previa que a Petrobras teria 60% da Abreu e Lima e a Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), 40%. Os aportes de recursos seriam feitos aos poucos e, caso a Venezuela não pagasse a sua parte, a Petrobras poderia fazer o investimento e cobrar a dívida com juros, ou receber em ações da empresa venezuelana, a preços de mercado. Essas penalidades, no entanto, só valeriam depois de assinado o contrato definitivo, de acionistas. Elas não chegaram a entrar em vigor, já que o contrato não foi assinado.
Os documentos mostram que a sociedade entre a Petrobras e PDVSA para construção da refinaria nunca foi assinada. Existe hoje apenas um "contrato de associação", um documento provisório, que apenas prevê, no caso de formalização futura da sociedade, sanções pelo "calote" venezuelano.
Desde 2005, quando esse termo de compromisso foi assinado pelos dois governos, até o ano passado, a Petrobras tentou receber o dinheiro devido pela PDVSA - sem sucesso. Em outubro do ano passado, quando o investimento na refinaria já chegava aos 18 bilhões de dólares, a estatal brasileira desistiu.
Os venezuelanos não negam a dívida. No item 7 do "contrato de associação" a PDVSA admite sua condição de devedora. Antes desse documento, ao tratar do fechamento da operação, uma das condições era o depósito, pelas duas empresas, dos recursos equivalentes à sua participação acionária em uma conta no Banco do Brasil - o que a o governo da Venezuela nunca fez.
Em outro, a Petrobras afirma que estariam previstas penalidades para o "descumprimento de dispositivos contratuais". Como nos outros casos, essa previsão não levou a nada, porque as penalidades só seriam válidas quando a estatal venezuelana se tornasse sócia da Abreu e Lima - e isso não ocorreu.
Chávez e Lula — A ideia de construir a refinaria partiu de Hugo Chávez, em 2005. A Venezuela precisava de infraestrutura para refinar seu petróleo e distribuí-lo na América do Sul, mas não tinha recursos para bancar tudo sozinha. Lula decidiu bancar a ideia. Mas Caracas nunca apresentou nem os recursos nem as garantias para obter um empréstimo e quitar a dívida com a Petrobras.
Em dezembro de 2011, em sua primeira visita oficial a Caracas, a presidente Dilma Rousseff tratou o assunto diretamente com Chávez, que prometeu, mais uma vez, uma solução. Nessa visita, o presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, chegou a anunciar que "havia cumprido seus compromissos" com a empresa, entregue uma "mala de dinheiro em espécie" e negociado uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China. Esses recursos nunca se materializaram.
O projeto inicial, que era de 2,5 bilhões de dólares, já chegava, em outubro do ano passado, aos 18 bilhões de dólares, quando a Petrobras apresentou ao seu Conselho de Administração a proposta de assumir integralmente a refinaria. A estimativa é que o custo total fique em torno de 20 bilhões de dólares.
Atualizada às 20h55 - A Petrobras enviou um comunicado à imprensa na noite desta segunda-feira afirmando que, "em todos os documentos firmados entre a companhia e a venezuelana Pdvsa - no que diz respeito à Refinaria Abreu e Lima - havia a premissa de que quaisquer direitos e obrigações somente seriam devidos, de parte a parte, na hipótese de efetivo ingresso da Pdvsa na sociedade". Segundo a estatal, a Pdvsa jamais ingressou na sociedade e tampouco teve qualquer direito de deliberação no âmbito da refinaria Abreu e Lima, nem tampouco pode eleger seus administradores. "Da mesma forma, eventuais cobranças somente seriam devidas por sócios da Petrobras na Rnest, e não por potenciais sócios".
(com Estadão Conteúdo)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Grandes empresas tomam medidas contra crise da água

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Prédio da Nestlé: poço e corte da academia para funcionários

São Paulo - Grandes empresas como Whirlpool, Syngenta, Aquapolo Ambiental e Nestlé estão investindo em reúso de água, abertura de poços profundos e conscientização dos funcionários como medidas "emergenciais" para combater a crise hídrica no País. Algumas delas também estão aumentando a capacidade de geradores de energia e até fechando academias de ginástica nas sedes. As principais ações de curto prazo foram compartilhadas por representantes das companhias durante seminário "Eficiência no Uso de Recursos Naturais" promovido pela Amcham Brasil.

Uma das maiores fabricantes mundiais de eletrodomésticos, responsável pelas marcas Brastemp e Consul, a Whirlpool afirma que está investindo para aumentar a capacidade de reúso da água nas fábricas do país, atualmente em 30%. Outra medida é o aumento da eficiência do sistema de distribuição do líquido para as unidades. A companhia diz ainda estar investindo na instalação de poços profundos "certificados", além da conscientização dos funcionários sobre a utilização racional da água.

A Aquapolo Ambiental, empresa criada pela parceria entre a Odebrecht Ambiental e a Sabesp para produção de água e reúso industrial, está focando no aumento da capacidade dos geradores já instalados e na instalação de novos equipamentos. A Syngenta, ligada ao agronegócio, por sua vez, tem buscado fontes alternativas de água, principalmente por meio de novos poços profundos e da "maximização" dos que já existem. A companhia ressalta que deve começar a reutilizar água em breve.

Já a Nestlé diz que a principal medida de curto prazo adotada para combater a crise hídrica tem sido a abertura de poços profundos artesanais. A empresa afirma que também negocia com os funcionários o fechamento da academia localizada na sede da empresa em São Paulo. A companhia ressalta também que está realizando manutenção nos geradores adquiridos ainda no racionamento de 2001, que juntos têm a capacidade de gerar até 15% da energia necessária pelas fábricas, por meio do diesel.

Também presente no evento, a Volkswagen afirmou que não tem nenhum plano emergencial de combate à crise hídrica. O gerente executivo da Divisão de Energia da montadora, Michael Lehmann, argumenta que a companhia já vem trabalhando no consumo sustentável "naturalmente". Ele destacou, porém, que a empresa tem tentando conscientizar fornecedores de sua cadeia de produção a elaborar planos e a compartilhar as medidas já adotadas no longo prazo.

PF vai investigar boato sobre confisco


BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou nesta sexta-feira, 13, à Polícia Federal a apuração sobre a origem de boatos difundidos nas redes sociais de que o governo faria um congelamento do dinheiro depositado na caderneta de poupança. A Caixa Econômica Federal havia pedido auxílio à PF. Representantes da área jurídica do banco tratam do caso com os policiais federais.

Os boatos surgiram há alguns dias pela serviço de mensagens WhatsApp no momento em que a presidente Dilma Rousseff começa a sofrer resistências mais fortes às medidas de ajuste das contas públicas, que estão impondo aumento de impostos, tarifaço de energia elétrica e regras restritivas ao acesso dos trabalhadores a benefícios previdenciários e trabalhistas.

Preocupado com o potencial prejuízo do caso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, divulgou nesta sexta-feira comunicado oficial informando que não procedem as informações de que haveria risco de confisco da poupança ou de outras aplicações financeiras.

© Dida Sampaio/Estadão

"Tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda", diz a nota assinada pelo ministro.

Fontes da área econômica informaram que a Caixa não identificou nenhum movimento atípico de saque na poupança, além do que era esperado para o período de véspera do feriado de carnaval.

A decisão no governo foi a de concentrar no Ministério da Fazenda a estratégia de evitar que as especulações se espalhassem. "Tratamos de matar no nascedouro essas informações mentirosas", disse uma fonte do governo.

'Motivo econômico'. Nas redes sociais, se espalhou a falsa informação de que o governo estaria congelando as contas da caderneta de poupança por motivo "econômico do Brasil". Nas mensagens, usuários da rede afirmam que o Palácio do Planalto anunciaria a retenção do dinheiro depositado na poupança a partir da Quarta-feira de Cinzas, dia 18.

Segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a área de monitoramento da pasta acompanhou o crescimento das mensagens no Twitter e também no WhatsApp, concluindo que o boato deveria "ser morto no nascedouro". Para isso, a Fazenda optou por divulgar uma nota oficial à imprensa, embora nenhum veículo de comunicação tivesse reproduzido os boatos.

A nota do Ministério da Fazenda acabou aumentando o número de mensagens no Twitter. Apesar do aumento, a boataria sobre o confisco não aparece entre os temas mais comentados (trendig topics) do Twitter no Brasil.

Em uma das mensagens, um usuário da rede social usa um perfil que ele mesmo afirma ser falso "por segurança" para dizer que a "Federação dos Bancos do Estado Brasileiro" - que não existe - autorizou a Caixa a "congelar" a poupança de seus clientes. Os boatos que circularam sugerem aos poupadores que procurem o "gerente da Caixa Econômica do Brasil (sic)".

Bolsa Família. Em maio de 2013, boatos sobre o fim do programa Bolsa Família espalhado pelas redes sociais levaram milhares de beneficiários do programa às agência da Caixa em vários Estados do País.

Os boatos fizeram com que a Caixa, responsável pela gestão do Bolsa Família, admitisse depois que antecipou o pagamento do benefício, na véspera dos boatos. /Colaboraram Gustavo Porto e Talita Fernandes

Crise política e econômica expõe divisão no ‘núcleo duro’ do 2º mandato de Dilma


Brasília - Divergências sobre como enfrentar as turbulências na política e na economia marcaram, nos últimos dias, as reuniões da presidente Dilma Rousseff com o “núcleo duro” do Palácio do Planalto. Apelidado de “G6”, o grupo é composto por seis ministros do PT que tentam, ainda sem sucesso, encontrar uma estratégia para Dilma romper o cerco político, sair das cordas e driblar o pessimismo com o governo.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é o maior alvo de críticas e fogo amigo no G6, no PT e na base aliada. Em conversas reservadas, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atribui a Mercadante o fracasso da articulação política do Planalto e a rota de colisão do PT com o PMDB. 

A eleição para o comando da Câmara foi um dos episódios da temporada de divisões do G6, que, além de Mercadante, abriga Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Jaques Wagner (Defesa), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ricardo Berzoini (Comunicações). 

Enquanto Vargas, um dos responsáveis pelas negociações com o Congresso, defendia desde o início um acerto com Cunha para não isolar o PT na composição da Mesa Diretora da Câmara, Mercadante não queria acordo “prévio” com o peemedebista. O governo apostou as fichas em Arlindo Chinaglia (PT-SP) e perdeu. Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estratégia de confronto adotada pelo Planalto foi “um desastre”. 

© Dida Sampaio/Estadão

Logo após assumir, Cunha impôs uma derrota atrás da outra a Dilma – da criação de uma nova CPI da Petrobrás ao Orçamento impositivo, que obriga o governo a executar emendas parlamentares e reduz seu poder de barganha na relação com o Legislativo. Desafeto do Planalto, o presidente da Câmara também não dá trégua por acreditar que Mercadante esteja patrocinando a criação de novos partidos, como o PL – organizado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD) –, para enfraquecer o PMDB. Ele nega. 

‘Faixa de Gaza’. Os gabinetes de Mercadante, Vargas e Rossetto estão localizados no 4.º andar do Planalto, já batizado de “faixa de Gaza” por ser uma zona de conflitos, muitas vezes abafados. Embora esteja fora do Planalto, o titular da Defesa, Jaques Wagner, também ajuda na negociação com o Congresso e entrou na linha de tiro. 

Mercadante e Wagner são vistos no PT como o “plano B” para a sucessão de Dilma, em 2018, caso Lula, o candidato natural, não queira ou não possa concorrer por questões de saúde. Nos bastidores, até petistas dizem que os dois travam uma disputa velada, com luvas de pelica, pelo coração de Dilma. 

“Se Lula quiser ser candidato a qualquer coisa, terá o meu apoio. Isso tudo é bobagem. Eu já cumpri minha missão e não vou concorrer a mais nada, se não houver reforma política e se as regras de financiamento de campanha não mudarem”, repete Mercadante, como mantra, sempre que é questionado sobre o seu interesse na eleição de 2018. “Não existe essa disputa”, garante Wagner. 

Dilma está mais irritada com os “vazamentos” das discussões de seu grupo de conselheiros do que propriamente com as divergências entre os auxiliares, que vão da forma de tratar o PMDB e a base aliada ao tamanho do ajuste fiscal. Com amigos no movimento sindical, Rossetto, Vargas e Berzoini, por exemplo, avaliam que é possível amenizar o texto da medida provisória que endurece o acesso a benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego. Mercadante e Wagner acham que nem tanto. “O ajuste é um pit stop para abastecer o carro, acertar a máquina e arrancar de novo”, comparou Wagner.

No PT, o chefe da Casa Civil é apontado ironicamente como o mentor do “sequestro” de Dilma, após as denúncias de corrupção na Petrobrás. Lula disse à presidente, na quinta-feira, que a tática do silêncio está errada. “Você precisa sair do gabinete, Dilminha”, insistiu ele. 

O estilo mandão de Mercadante tem se chocado com o de Rossetto, que só admite ordens da própria Dilma. Os dois já se estranharam algumas vezes e bateram boca no fim do primeiro mandato. À época, o titular da Casa Civil organizava a demissão coletiva dos ministros e pediu que Rossetto, então no Desenvolvimento Agrário, apresentasse sua carta para deixar a presidente à vontade para a troca do time. Rossetto respondeu que só obedecia a Dilma. 

Pouco antes da festa dos 35 anos do PT, no dia 6, em Belo Horizonte, uma reunião do G6 escancarou outro racha: a conveniência de Dilma ir ou não àquele ato. Na véspera, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, havia sido levado pela Polícia Federal para depor no inquérito que apura a corrupção na Petrobrás. 

A notícia “vazada” dava conta de que Mercadante era contra a ida de Dilma à capital mineira porque alegava ser preciso preservar a imagem dela, impedindo que a imprensa a associasse a Vaccari, presente à festa. O ministro divulgou nota negando a informação. Depois disso, circularam rumores de que Rossetto, e não Mercadante, teria sido o autor das ponderações feitas a Dilma. Questionado, Rossetto respondeu: “Pelo amor de Deus! Não é possível uma coisa dessas!” O fogo amigo promete continuar.

Joaquim Barbosa pede a demissão do Ministro da Justiça

São Paulo – O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa pediu no último sábado, em seu perfil no Twitter, a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Barbosa escreveu: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça.”© Nelson Jr./SCO/STF Barbosa escreveu: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça.”
Barbosa mostrou insatisfação com a revelação de que José Eduardo Cardozo tranquilizou advogados de executivos presos na Operação Lava Jato da Polícia Federal sobre os rumos do caso depois do feriado de carnaval.
Barbosa escreveu: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça”, escreveu em sua conta oficial no Twitter. 
De acordo com informações do jornal O Globo, o ministro Cardozo recebeu em três advogados representantes da Odebrecht, construtora envolvida na operação Lava-Jato.
Segundo a publicação, eles esperavam receber ajuda do governo para soltar os 11 executivos que estão presos.
Cardozo também teria encontrado outros advogados de construtoras como a UTC e a Camargo Corrêa, segundo a Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Marinha divulga imagens de navio atingido por explosão, no ES

Fotos foram tiradas nesta quinta-feira (12).
Apesar da popa mais baixa, Marinha descartou que navio esteja afundando.
Navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus (Foto: Divulgação/ Marinha)
Navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus (Foto: Divulgação/ Marinha)
A Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos do Espírito Santo, divulgou nesta quinta-feira (12) as primeiras imagens do navio-plataforma Cidade de São Mateus, após a explosão que matou cinco tripulantes e deixou 26 feridos, na tarde de quarta-feira (11). O navio está posicionado a cerca de 40 quilômetros da costa.
A explosão no navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus deixou cinco mortos e quatro desaparecidos. Vinte e seis funcionários ficaram feridos, mas até o início da noite desta quinta-feira, oito pessoas permaneciam hospitalizadas. A embarcação é operada pela BW Offshore e afretada (contratada) pela Petrobras. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), 74 pessoas estavam no navio-plataforma no momento do acidente. Não houve vazamento de óleo no mar. Dos feridos, sete estão internados no Vitória Apart Hospital e um no Hospital Metropolitano, ambos na Serra, Grande Vitória. Os demais trabalhadores foram resgatados e levados para um hotel em Vitória.

Especialistas da empresa BW, proprietária do navio, que presta serviço para a Petrobras, e de diversos órgãos realizam perícias na embarcação para avaliar o grau de dano causado pelo acidente. Apesar das fotos mostrarem a popa da embarcação mais baixa do que a proa, a Marinha do Brasil descartou que o navio esteja afundando.
Crea
A fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) comunicou que está se mobilizando para notificar a BW Offshore. De acordo com o Crea capixaba, a offshore, que tem sede no Rio de Janeiro, mas já executa serviços no Espírito Santo desde 2009, não tem registro no conselho profissional, portanto atuava de forma irregular. A empresa ainda não se manifestou sobre a situação.
Além disso, segundo informações do Crea-ES, a BW Offshore não constava na listagem de empresas contratadas pela Petrobras enviada ao Crea. Caso a offshore não tome medidas para regularização, após receber a notificação do Crea, a empresa será multada.
Para uma empresa de outro estado ou país exercer seu trabalho legalmente no Espírito Santo é obrigatório ter registro no Crea-ES. O mesmo funciona para o profissional de engenharia ou técnico, que tenha seu título vinculado ao Sistema Confea/Crea, que não seja daqui. Para atuar legalmente é necessário emitir visto no Conselho.
Capitania divulga primeiras fotos do navio-plataforma após explosão (Foto: Capitania dos Portos/ Divulgação)Capitania divulga primeiras fotos do navio-plataforma após explosão (Foto: Divulgação/ Marinha)
Corpos
Os corpos dos cinco funcionários que morreram durante a explosão do navio-plataforma, no litoral de Aracruz, chegaram a Vitória na noite desta quinta-feira (12), segundo a Infraero. Eles foram transportados por um helicóptero cargueiro e seguiram para o Departamento Médico Legal (DML) da capital.
Quando a explosão ocorreu, três mortes foram confirmadas pela BW Offshore, nesta quarta-feira, mas na manhã desta quinta outros dois corpos foram encontrados na sala de máquinas do navio-plataforma. Com isso, o número de mortes no acidente subiu para cinco.
Feridos
O Vitória Apart Hospital recebeu 12 feridos. Até as 15h desta quinta-feira, cinco deles já haviam sido liberados e agora terão acompanhamento ambulatorial. Dos sete pacientes que permanecem internados, seis encontram-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Desses, três pacientes estão em estado mais crítico, embora estáveis, e seguem em tratamento especializado sob cuidados de uma equipe multidisciplinar. Os outros três pacientes continuam em observação, com quadro clínico estável. Uma paciente está em observação, finalizando exames para definição da conduta médica a ser adotada.
O diretor do Vitória Apart explicou que, entre as pessoas que estão em estado grave, um é filipino. "O paciente filipino foi o único que chegou ao hospital sedado, os outros chegaram conscientes. Os que têm ferimentos mais leves não estão recebendo menos atenção, pois ainda podem aparecer traumas. Soubemos que um dos feridos ficou preso em um elevador e inalou muita fumaça, o que foi bastante prejudicial", disse.
Outros dois feridos foram encaminhados para o Hospital Metropolitano. A assessoria da BW Offshore informou que um dos pacientes que estava no Metropolitano recebeu alta na manhã desta quinta-feira. Já o segundo paciente continua no internado no hospital e o estado de saúde dele é estável, sem previsão de alta.
Funcionários de navio-plataforma chegam a hotel em Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Funcionários de navio-plataforma chegam a hotel em Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
ANP
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), até às 18h desta quinta-feira (12), as quatro pessoas desaparecidas na explosão da FPSO Cidade de São Mateus não haviam sido encontradas pelos bombeiros, peritos e pessoal da BW.
Segundo a Agência, eles fizeram o translado dos cinco corpos para o Aeroporto de Vitória e também realizaram uma inspeção estrutural na plataforma.
A parcela submersa do casco foi totalmente inspecionada e encontra-se íntegro. O número total de feridos no acidente subiu para 26.
Neste momento não é possível afirmar as causas do acidente. O local onde ocorreu a explosão permanece inundado e inacessível. A ANP abriu processo de investigação do incidente para identificação das causas e das não conformidades do sistema de gestão de segurança operacional.

BW Offshore
Após a explosão do navio-plataforma, todos os funcionários foram retirados da embarcação, segundo informou a BW Offshore Brasil. A empresa é a responsável pela operação do navio que prestava serviço para a Petrobras. Os parentes das vítimas foram informados e os funcionários estão sendo atendidos por uma equipe de apoio montada pela BW Offshore Brasil. Além disso, a produção foi paralisada e a unidade fechada.
O navio FPSO opera nos campos de Camarupim e Camarupim Norte no litoral do Espírito Santo a aproximadamente 120km da costa. "É um dia trágico para nós, nosso foco é nos funcionários e suas famílias. Não vamos descansar enquanto não encontrarmos os quatro desaparecidos. Somos gratos à Petrobras e às autoridades brasileiras pelo esforço incansável e gostaríamos de agradecer o apoio deles nesse momento", diz Carl Arnet, CEO da BW Offshore.
Marinha
Em nota, a Marinha do Brasil informou que está empregando três navios (uma Corveta e dois Navios-Patrulha), três aeronaves (duas no aeroporto de Vitória e uma a bordo da Corveta) e cerca de 400 homens para controlar a área marítima, evitar eventuais riscos à navegação e contribuir para eventuais resgates na região.
As tripulações das duas aeronaves da Marinha que transportaram bombeiros militares para a plataforma na noite desta quarta-feira (11) permanecerão em alerta, prontas para decolar e prestar apoio quando necessário, segundo informou a nota.
A unidade informou que a Petrobras não autorizou a divulgação dos nomes dos pacientes. Os familiares de feridos que estão no hospital estão sendo atendidos por assistentes sociais.
Familiares a espera de notícias, no Espírito Santo (Foto: Ricardo Medeiros/ A Gazeta)Familiares a espera de notícias
(Foto: Ricardo Medeiros/ A Gazeta)
Buscas
Uma equipe de nove bombeiros foi enviada, na noite desta quarta-feira, para o navio-plataforma para buscar as pessoas que estão desaparecidas. O grupo de resgate em ambiente fechado foi ao local em dois helicópteros da Marinha para procurar dentro da embarcação.
De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a suspeita dos bombeiros é que os funcionários estejam isolados em alguma sala não atingida pela explosão e que não tenham uma forma de se comunicar. O navio-plataforma está sem iluminação, o que tornaria ainda mais difícil a tarefa dos desaparecidos de sair de onde estão. Por conta disso, os bombeiros utilizariam lanternas dos capacetes e de mão para auxiliar nos trabalhos.
Dentre os equipamentos levados para auxiliar no resgate, está o conjunto de respiração autônomo, com oxigênio, necessário em ambientes confinados. Cada bombeiro conta, ainda, com equipamentos individuais de proteção, incluindo os necessários para rapel. Eles também estão equipados com macas rígidas e outras articuladas, que garantem mais flexibilidade para resgate em locais apertados.
O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) informou que três pessoas da Brigada de Incêndio da plataforma iniciaram as bucas antes da chegada dos bombeiros.
No início da tarde destaq uinta-feira, um helicóptero com peritos e bombeiros deixou o Aeroporto de Vitória com destino ao navio-plataforma. Segundo a vice-coordenadora do Sindicato dos Petroleiros, Mirta Rosa Chieppe, a perícia encontrava dificuldades para realizar o trabalho de resgate.
Segundo ela, a escada que dá acesso a casa de máquinas, onde ocorreu a explosão, está comprometida e dificulta a locomoção dos peritos e a retirada dos corpos.
Ibama
A coordenadora geral de emergências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Pirillo, informou que não há evidências de poluição ou quaisquer danos ambientais após a explosão do navio-plataforma em Aracruz. Mesmo assim, o Ibama vai realizar um sobrevoo no local, junto à Petrobrás, para avaliar a situação.
O QUE É FPSO
Floating Production Storage and Offloading
É um navio adaptado para funcionar como plataforma de produção, armazenamento e transferência de gás ou petróleo para outras embarcações.
Petrobras
O navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus é operado pela BW Offshore e afretado (contratado) pela Petrobras, que confirmou o número de vítimas e informou que havia 74 pessoas embarcadas no total – mas não especificou quantas trabalham para a petroleira.
"A unidade opera, desde junho de 2009, no pós-sal dos campos de Camarupim e Camarupim Norte, no litoral do Espírito Santo, a cerca de 120 km da costa", afirma o texto.
A plataforma, que armazena e produz petróleo e gás, tem foco maior na produção de gás. Segundo a ANP, sua produção é de 2,250 milhões de metros cúbicos de gás/dia e 350 metros cúbicos de óleo/dia.
O FPSO Cidade de São Mateus foi o primeiro para gás instalado no Brasil. O contrato entrou em vigor em 2009 e tem duração até 2018.
O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, comentou nesta tarde o acidente: “A diretora de Abastecimento e Gás [da Petrobras] já se deslocou até o local, estamos esperando um relatório do ocorrido. Mas quero desde já, em nome do governo federal, prestar condolências aos familiares das vítimas e pedir a Deus que aqueles que foram feridos tenham o pronto restabelecimento.”
O ministro disse que estava com a presidente Dilma Rousseff quando recebeu a notícia da explosão na plataforma. “A presidente lamentou muito e ficou muito sentida porque, afinal de contas, houve perda de vidas humanas”, disse Braga.
Acidente em plataforma a serviço da Petrobras no ES - VALE ESTE (Foto: Arte/G1)
Investigações
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES), informou que tomou conhecimento da explosão na plataforma e encaminhou um navio e duas aeronaves para a área, “com a prioridade inicial de realizar a evacuação de pessoal e remover as vítimas para os hospitais da Grande Vitória". 
A CPES diz ainda que será aberto um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), para esclarecer as causas e responsabilidades pelo ocorrido na plataforma. "O prazo para a conclusão do inquérito é de 90 dias”, diz a nota.

Escândalo da Petrobras pode levar Brasil à recessão, diz NYT

Operação LavaJato: investigação revelou a participação de empresas privadas no esquema de corrupção na Petrobras
São Paulo - O escândalo de corrupção na Petrobras pode empurrar o Brasil para uma recessão, diz um texto do The New York Times publicado ontem.
O jornal americano usa números do economista Samuel Pêssoa, do IBRE/FGV, que estimam em 10% o peso da empresa na economia do país. 
O corte nos investimentos neste ano poderia comer 0,75 ponto percentual do crescimento. Como a economia brasileira já vem de uma estagnação, isso significaria afundar o país em uma recessão (e isso sem nem citar as possibilidades de racionamento).
O texto do jornal diz que o efeito da Petrobras sobre o resto da economia começa pelos fornecedores e prestadores de serviços da empresa, que tiveram pagamentos interrompidos e não podem entrar em novos contratos.
Dessa forma, perdem tanto o fluxo de caixa quanto a capacidade de captar recursos no mercado, o que pode gerar uma onda de falências, além de vendas de ativos e fusões e aquisições.
Sem balanço auditado, a Petrobras não pode captar no mercado. E como ela era a referência internacional de investimento, todas as outras são afetadas.
Janeiro, que costuma ser um mês de emissão forte de obrigações de grandes companhias, não teve nenhum movimento do tipo em 2015. Bancos muitos expostos ao setor também podem ser prejudicados, mas com riscos bem menores de falência, diz o jornal.
Tópicos: Desenvolvimento econômicoCrescimentoEconomia brasileiraOperação Lava JatoPetrobrasEmpresasCapitalização da PetrobrasEstatais brasileiras,Petróleo, gás e combustíveisEmpresas brasileirasEmpresas estataisEmpresas abertasIndústria do petróleoPIBPIB do BrasilThe New York TimesJornais
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